Férias Indesejadas

A despedir-me de meus colaboradores Antecipo as férias de forma inesperada. Visando superar a peste e seus temores, Arruíno minha estrutura antes organizada.

Sem sequer vislumbrar sinal de normalidade, Recorro às preces apegando-me a Deus Mesmo que na era da pós-modernidade Tornou-se pecado não declarar-me ateu.

A imprensa faz coro com nossos políticos, Semeando o medo e difamando a ciência. Sem se importar com o estado tão crítico, Dos que a passos largos rumam à falência.

Diferente do que a opinião pública prega Não possuo posses, por dia mato um leão. Batalhando para manter as portas abertas, A fim de chegar em casa levando o pão.

Compartilho o drama com meu pessoal, Que ao findar do recesso serão demitidos. Pois, apesar da amizade e laço profissional, O cientificismo tornou o trabalho banido.