Estrela Invernal (Parnasiano)
No inverno austero da costa a leste, Dez graus negativos rasgavam o ar gelado. Dormíamos em paz, num sono honesto... Até despertar para o destino esperado.
O relógio da vida acordou em fúria, Dilatando a estrada em dores sem fim. O pai, calmo herói, banhou de luz a escuridão, Enquanto a mãe sofria seu destino assim.
Na estrada gelada, quase nada sentíamos, Mas a adrenalina ardia em nosso ser. Era o amor materno, que nos sustentava, E nos fazia o frio desconhecer.
A avó, vigilante, com olhar de espanto, Cruzou mil léguas por sua filha amar. Doze horas de angústia, um divino quebranto Até a estrela branca poder brilhar.
Sem choro, serena, nos braços da mãe, A paz se fez sol, rompendo a dor. E naquele instante, sagrado e sem mágoa, Nasceu o milagre, nasceu o amor.