Adeste Fideles
Em meio a sangrentas batalhas, O Papa preconizava armistício. Ignorando suas falas e cartas A guerra prolongava o suplício.
Lutando em ambiente inóspito Na Bélgica, atrás de trincheiras, Realizariam algo quase utópico A despeito de ordens e bandeiras.
O Natal de 1914 se avizinhava Sensibilizando ambos os lados. E à medida que um cantava O inimigo replicava os brados.
Britânicos, alemães e franceses Entoavam juntos a mesma canção. Após confrontarem-se durante meses, Disparos cessaram em favor da união.
Embevecidos pelo espírito natalino Alguns foram à Terra de Ninguém. Para sua surpresa, correspondidos, Encontraram outros almejando ir além.
Quão singelo e simbólico momento! No qual inimigos trocaram presentes. Interrompendo tão grande sofrimento Dividiram alimento e trataram doentes.
Milhares de soldados participaram, À luz do dia em plena frente de batalha. Jogaram futebol e vítimas enterraram A desobedecer ordens de burocratas.
Contudo, a empatia foi se esvaindo, Sobretudo após a entrada do novo ano. Com novos ataques se intensificando A paz retornou ao segundo plano.
Assim se sucedeu a Trégua de Natal, Que em anos seguintes foi proibida. Conforme a guerra ficou mais brutal, Mais desumanizado era o valor da vida. Por envenenamento de gás mostarda Vidas perdidas e humanidade acabada.