A Cantar em Araral
Quis partir lá para o norte a tupiniquim ararinha. Ouvir aves gringas cantando em diferentes línguas. Nessa migração exótica, ela não esteve sozinha: Com a sua mala e cuia, presa a sua coleirinha.
Afeita a clima ‘tropicado’, suando noite e dia, Viu o sol nascer gelado e sua comida estava fria. Não bastando o trajeto (pra quem não voava bem), Seguia com seu projeto sem dever nada a ninguém.
Gesticulando sempre com suas asas tão bonitas, Ararinha fez amigos, demonstrando alegria. Se achegando aos corvos aprendeu estrangeirices, Crocitando como poucos as maiores tagarelices.
Assentada nessa terra estranha, porém tão fascinante, Concebeu com sua coleira uma nova ave infante. Que voou junto com elas, retornando à terra natal Recheados de cautelas, mas a cantar em ‘araral’.